UM LOUCO NU*

                                                      Lucarocas

 

         No trabalho me chamou atenção um burburinho de alunos em final de aula. Além do normal era o barulho.

         Um corre-corre movimentava turmas e mais turmas em corridas à quadra. Idas e vindas de gargalhadas e desprezo.

         Sério homem me informa o ocorrido: um louco nu desfilava na quadra com um ar de pavão exibindo parte de cabo de vassoura introduzido no ânus.

         Cena de alegria e chacota para alunos insensíveis à dor alheia. Para mim cena chocante que não atrevi a ver.

         Não vi, mas imaginei a dor do Louco Nu de espírito conturbado pela loucura e desprezado pelo homem que se diz são.

         Imaginei como num ambiente educacional existem tantos “loucos” que poderiam estar nus. Nus do seu egoísmo, da sua inveja, da sua arrogância, das suas maldades, das suas desonestidades, das suas vontades de magoar o outro para se dar bem, e de muitas outras mazelas de pessoas de espíritos doentios que se dizem “normais”.

         Pensei, assim na minha ingênua loucura, que quando essas pessoas se desnudassem não receberiam “cabadas de vassouras”, não no ânus, mas nas costas dos seus destinos.

         Voltei à minha sanidade, e soube que o Louco Nu foi conduzido pela polícia para local ignorado, pois não há na cidade um lugar específico de acolhimento à loucura.

         O ambiente escolar voltou ao “normal”, mas ficou um clima de que um dia um desses alunos de hoje, ou profissionais da educação, possam ser também um Louco Nu.

 

 

                                                   Fortaleza, 15 maio de 2013.

 

 

* Texto inspirado em fato ocorrido na Escola Estado do Maranhão

 Fortaleza – CE. Na tarde do dia 14 de maio de 2013.

 



 
 

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Lucarocas Poeta e Comunicólogo
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